A sexualidade humana é uma área de estudo que vem recebendo cada vez mais atenção, pelo reconhecimento de sua importância na qualidade de vida.

Tradicionalmente, a resposta sexual humana foi dividida em quatro fases: desejo (fantasias sexuais e desejo por atividade sexual); excitação (sensação de prazer sexual, acompanhada de mudanças fisiológicas, caracterizadas na mulher por vasoconstrição pélvica, lubrificação e expansão vaginal e turgescência genital externa); orgasmo (clímax do prazer sexual, caracterizado pelo relaxamento sexual e contrações rítmicas da musculatura perineal e dos órgãos envolvidos); resolução (bem-estar e relaxamento muscular, sendo possível à mulher responder à nova estimulação sexual).

Nesse modelo tradicional, a sexualidade masculina e feminina é semelhante. Porém, evidências clínicas do impacto principalmente das experiências anteriores na sexualidade feminina têm demonstrado algumas limitações importantes desse modelo para a compreensão da sexualidade da mulher, que tem algumas especificidades próprias.

Ao final da década de 1990, Rosemary Basson, psiquiatra canadense, pesquisadora do Centro de Sexualidade da British Columbia University, acrescentou ao modelo tradicional aspectos relacionados à receptividade da mulher à experiência sexual. Nesse modelo alternativo, o desejo por intimidade, ao invés de um impulso biológico, desencadearia em muitas mulheres o ciclo de resposta sexual.

Hoje é consenso entre os especialistas da área que essa receptividade ao estímulo e contexto sexual é de fundamental importância para a maioria das mulheres. A experiência sexual pode começar sem motivação suficiente, mas pelo desejo da mulher em buscar maior proximidade, compromisso, compartilhamento, carinho e tolerância, ou demonstrar sentimentos provocados pela ausência emocional ou física do parceiro. Iniciará uma busca deliberada de estímulos sexuais, como o diálogo, a música, o erotismo escrito ou visual, ou a estimulação física direta, desencadeando a excitação e favorecendo sua receptividade, por meio da aceitação de estímulos até então indesejados.

Principalmente em relacionamentos de longa duração, é muito importante que o casal facilite a criação de momentos de proximidade, em que os dois voltam a atenção e a consciência para a passagem de um estado de não conexão para outro de vínculo.