Psicodrama auxilia na ressocialização de presos, no combate à violência doméstica e na área da saúde, entre outras

Método de intervenção e pesquisa nas relações interpessoais tem sido amplamente desenvolvido em clínicas, hospitais e consultórios psicológicos. Em sua vertente educacional, é difundido em escolas, empresas e instituições comunitárias, auxiliando na recuperação psicossocial de muitas pessoas

Criado pelo médico romeno Jacob Levy Moreno (1889 – 1974), o Psicodrama pode ser definido como uma via de investigação da alma humana mediante ação. “É uma psicoterapia de grupo em que a representação dramática é usada como núcleo de abordagem e exploração da psique humana e seus vínculos emocionais”, explica a psicóloga Dra. Heloisa Fleury.

Profissionais de diferentes áreas atuam como psicodramatistas: médicos, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, profissionais de RH e pessoas que, em seu exercício profissional, trabalham com grupos.

Em hospitais psiquiátricos, o trabalho psicodramático tem sido de extrema utilidade na reinserção social do indivíduo, “O psicodrama tem sido utilizado em hospitais psiquiátricos de São Paulo, integrado ao programa ‘hospital-dia’, que é uma transição entre a internação integral e o ambulatório, visando a reabilitação psicossocial”, revela a psicóloga.

Na esfera social, Dra. Heloisa destaca o trabalho que tem sido feito nas prisões, tendo-se em vista a ressocialização do preso. “O trabalho psicodramático também tem ajudado as mães de presidiários a superar a dor da diferença e do preconceito; a aceitar as consequências de se ter um filho preso e a vencer com equilíbrio essa etapa, afastando a depressão”, declara a psicóloga, que também é editora da Revista Brasileira de Psicodrama e coordenadora geral do departamento de Psicodrama do Instituto Sedes Sapientiae.

O método tem sido amplamente usado no campo da violência doméstica, fato presente nas mais diversas classes sociais. “Por entender ser a família o foco transmissor de valores para a realidade social, as vítimas de hoje tendem a ampliar a agressão sofrida num futuro próximo”, acredita Heloisa.

O psicodrama também é aplicado no setor empresarial, como auxílio em processos seletivos; nas salas de aula, trabalhando as relações entre adolescentes e seus grupos; e no ambiente corporativo de uma forma geral, identificando pontos de tensão, promovendo uma melhor avaliação de papeis e melhorando as relações entre as equipes de trabalho.

Na área da saúde, o processo tem sido aplicado em centros de recuperação de crianças desnutridas, onde sensibiliza o envolvimento paterno e provoca melhoria da relação afetiva com os filhos. “Esse trabalho proporcionou uma busca de identidade e consequente desenvolvimento de autoestima por parte dos pais. Em consequência, o número de crianças desnutridas caiu drasticamente”, afirma Dra. Heloisa Fleury.

Outros projetos que envolvem o psicodrama apontam para a população de baixa renda desempregada, visando o fortalecimento da esperança e o resgate de sua autoestima, para que possam enfrentar com sucesso o processo seletivo. “Um trabalho que nos comove muito é o que tem sido feito com a população de rua da cidade de São Paulo. Descobre-se que sob aquela figura frágil e desamparada existe ainda um ser capaz de lutar, desde que receba algum auxílio”, declara a psicóloga.

Até mesmo na área do turismo a prática tem sido realizada. “No Nordeste, o psicodrama pedagógico foi aplicado para desenvolver papeis e capacitar 30 jovens carentes a trabalhar como garçons, camareiras, contínuos e mensageiros. Foram criadas situações reais de aprendizagem para o treinamento do papel profissional, no projeto denominado ‘Encantando o Turista’, que teve grande parte de seus alunos contratada pelo setor hoteleiro”, finaliza Dra. Heloísa.

Assédio moral no trabalho pode interferir diretamente na saúde mental da vítima e gerar quadros depressivos graves

Especialista revela que, normalmente, o assédio começa com pouca intensidade mas vai aumentando até a vítima ser alvo permanente de humilhações

O assédio moral consiste em qualquer conduta abusiva que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa. Ele consiste na permanente desqualificação da vítima, seguida de fragilização e ocorre quando o trabalhador é exposto a situações vexatórias, constrangedoras ou humilhantes, de forma repetitiva, durante sua jornada de trabalho.

O fenômeno está presente na sociedade desde o surgimento das primeiras relações de trabalho. Porém, o tema só começou a ser estudado e considerado relevante a partir da década de 1980.

Na mais recente edição da revista lançada pela Federação Brasileira de Psicodrama, foi publicado um estudo a respeito do tema. Com o título “Restabelecendo o poder de agir: atendimento grupal para assediados moralmente no trabalho”, o estudo aborda diferentes formas de assédio moral, suas consequências e apresenta possibilidades de recuperar a força de ação por pessoas que sofreram o abuso. “A exposição à violência gera um processo de degradação progressiva da saúde física e mental do indivíduo, que pode começar com tensão, ansiedade e evoluir para quadros depressivos, podendo culminar até mesmo em suicídio”, revela a psicóloga Heloisa Fleury, editora da publicação.

Dra. Heloisa declara que as práticas de assédio moral podem decorrer de diferentes formas. “São elas: vertical descendente – do chefe para seu subordinado; vertical ascendente – do subordinado para seu superior; horizontal – entre colegas de trabalho; ou mista; e sua ocorrência pode ser individual ou coletiva”, afirma.

Diferentemente do que se imagina, geralmente a vítima tende a ser bastante competente e responsável no seu trabalho. “Não tem a ver com eficiência; o assédio moral nasce do encontro da inveja, do poder e da perversidade. No início parece algo inofensivo e a vítima costuma desculpar o agressor, entendendo apenas como uma brincadeira de mau gosto. Na sequência, os ataques aumentam e a pessoa vai sendo colocada em estado de inferioridade, sofrendo injúrias hostis e degradantes de forma constante”, declara a psicóloga.

Dra. Heloisa considera que esse seja um fato cada vez mais presente no novo contexto de vida em que estamos inseridos, onde se constata a banalização da injustiça social, precarização das condições de trabalho, entre outras situações degradantes. “Ainda assim, o respeito e a valorização devem pautar as relações entre as pessoas, independente de suas condições sociais e econômicas, priorizando o equilíbrio e a harmonia”, complementa.

A psicóloga acredita que, para se recuperar do problema, é preciso identificar o que está acontecendo o mais rápido possível. “Valorizar as impressões e sentimentos e buscar alternativas para sair da situação, quanto mais cedo, melhor. Quando estiver difícil de mudar esse cenário, considere a busca de ajuda psicoterápica porque, com o passar do tempo, o caso tende a ficar cada vez mais complexo”, finaliza Heloisa Fleury.

Ansiedade pode ter consequências sérias e levar a outras desordens psicológicas como à depressão

Sentimento pode afetar o relacionamento com familiares, amigos e colegas de trabalho, chegando a comprometer o ambiente no lar e o desempenho profissional

Em alguns momentos da vida, como em acontecimentos muito aguardados ou em obrigações sociais importantes, tendemos a nos sentir ansiosos ou em estado de tensão. Esta ansiedade leve pode nos ajudar a ficar alerta e focalizar nas circunstâncias que parecem ameaçadoras ou nos desafiam. Porém, um desconforto mais sério e por um período maior de tempo, comprometendo o cotidiano da pessoa, deve ser avaliado de forma mais detalhada e, em muitos casos, chegar à necessidade de um tratamento apropriado que auxilie a pessoa a manter uma vida normal.

Para a psicóloga Heloísa Fleury, esse desconforto maior pode se manifestar de diversas maneiras. “Medos e preocupações recorrentes relacionadas à saúde ou finanças, acompanhados de uma sensação de que algo ruim vai acontecer e podendo dificultar a concentração nas tarefas diárias é uma das formas mais comuns”, revela Heloísa.

De acordo a psicóloga, rotinas ou rituais persistentes, incontroláveis e não desejados que a pessoa desenvolva para tentar impedir ou se livrar de determinados pensamentos são sinais de que o sentimento de ansiedade pode estar em um estágio além do normal.

Na maioria das vezes, esses desconfortos podem ser tratados com sucesso por profissionais especializados. No entanto, esses tratamentos não apresentam resultado imediato, sendo importante a cooperação da pessoa. “O tratamento sempre deve ser adaptado às necessidades de cada pessoa e às dificuldades que está apresentando. Muitas vezes, indivíduos tendem a atribuir ao cansaço alguns indícios de que há um sofrimento que merece maior atenção”, alerta.

A psicóloga revela que existem alguns sinais que podem indicar depressão e justificam a busca de um diagnóstico profissional. Segundo Heloísa Fleury, a psicoterapia pode auxiliar na identificação dessas condições difíceis, encaminhando quando necessário para ajuda medicamentosa concomitante. “Mau humor na maior parte do dia, alteração no apetite ou mudanças de peso, alteração no sono, lentidão ou agitação psicomotora, perda de interesse por atividades anteriormente valorizadas, fadiga ou perda de energia, sentimentos de desvalia, culpa excessiva ou inapropriada, dificuldade de concentração ou de pensar com clareza fazem parte do rol de sintomas que prejudicam o bem estar da pessoa e dificultam o convívio, afastando-a, muitas vezes, da família, dos amigos e das tarefas a serem desempenhadas”, finaliza a profissional.