Especialista revela que, normalmente, o assédio começa com pouca intensidade mas vai aumentando até a vítima ser alvo permanente de humilhações

O assédio moral consiste em qualquer conduta abusiva que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa. Ele consiste na permanente desqualificação da vítima, seguida de fragilização e ocorre quando o trabalhador é exposto a situações vexatórias, constrangedoras ou humilhantes, de forma repetitiva, durante sua jornada de trabalho.

O fenômeno está presente na sociedade desde o surgimento das primeiras relações de trabalho. Porém, o tema só começou a ser estudado e considerado relevante a partir da década de 1980.

Na mais recente edição da revista lançada pela Federação Brasileira de Psicodrama, foi publicado um estudo a respeito do tema. Com o título “Restabelecendo o poder de agir: atendimento grupal para assediados moralmente no trabalho”, o estudo aborda diferentes formas de assédio moral, suas consequências e apresenta possibilidades de recuperar a força de ação por pessoas que sofreram o abuso. “A exposição à violência gera um processo de degradação progressiva da saúde física e mental do indivíduo, que pode começar com tensão, ansiedade e evoluir para quadros depressivos, podendo culminar até mesmo em suicídio”, revela a psicóloga Heloisa Fleury, editora da publicação.

Dra. Heloisa declara que as práticas de assédio moral podem decorrer de diferentes formas. “São elas: vertical descendente – do chefe para seu subordinado; vertical ascendente – do subordinado para seu superior; horizontal – entre colegas de trabalho; ou mista; e sua ocorrência pode ser individual ou coletiva”, afirma.

Diferentemente do que se imagina, geralmente a vítima tende a ser bastante competente e responsável no seu trabalho. “Não tem a ver com eficiência; o assédio moral nasce do encontro da inveja, do poder e da perversidade. No início parece algo inofensivo e a vítima costuma desculpar o agressor, entendendo apenas como uma brincadeira de mau gosto. Na sequência, os ataques aumentam e a pessoa vai sendo colocada em estado de inferioridade, sofrendo injúrias hostis e degradantes de forma constante”, declara a psicóloga.

Dra. Heloisa considera que esse seja um fato cada vez mais presente no novo contexto de vida em que estamos inseridos, onde se constata a banalização da injustiça social, precarização das condições de trabalho, entre outras situações degradantes. “Ainda assim, o respeito e a valorização devem pautar as relações entre as pessoas, independente de suas condições sociais e econômicas, priorizando o equilíbrio e a harmonia”, complementa.

A psicóloga acredita que, para se recuperar do problema, é preciso identificar o que está acontecendo o mais rápido possível. “Valorizar as impressões e sentimentos e buscar alternativas para sair da situação, quanto mais cedo, melhor. Quando estiver difícil de mudar esse cenário, considere a busca de ajuda psicoterápica porque, com o passar do tempo, o caso tende a ficar cada vez mais complexo”, finaliza Heloisa Fleury.